11/01/2026

MEMÓRIAS DE THEODOMIRO SANTIAGO-INÍCIO DO IEMI


Tendo viajado para a Europa em maio de 1912 e retornado à Itajubá em novembro, Theodomiro imediatamente tomou providencias para o início das aulas do IEMI- Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, o que aconteceu em 1º de março de 1913. Enquanto estava em reformas o prédio adquirido do Dr. Luiz Rennó, as aulas foram ministradas numa pequena sala do Ginásio de Itajubá.

Os alunos que terminavam o curso no Ginásio foram os primeiros a fazerem o requerimento de matricula: número 1 José de Manso Cabral e número 2 Sebastião Osório. Ouvi de “viva voz” do professor Sebastião Osório, o querido e famoso “BO” (Bastião Osório), que ele e o José de Manso foram até o escritório para fazer a matricula, o que foi feito numa folha de ”papel al maço”, com o requerimento sendo ditado pelo Dr. Theodomiro. Ao terminarem e entregarem assinado, foi colocado o número 1 no requerimento de José de Manso e o número 2 no dele. Tendo ficado doente no primeiro ano do curso, Sebastião Osório formou- se na segunda turma. Foi professor de 1937 a 1966. Também de Itajubá fizeram o requerimento de matricula: Luiz Goulart de Azevedo, José Ernani de Lima e José Benedito de Oliveira, o famoso Celico, que junto com o irmão Dr. Antônio Rodrigues de Oliveira, vieram a se tornar grandes matemáticos.
A movimentação de Theodomiro foi acompanhada por notícias em diversos jornais de circulação nacional, tendo atraído a atenção de jovens de Minas Gerais e de outros estados. Antônio de Melo Silva (Freitas), Euler Martins de Menezes (Pouso Alegre), Ildeu Ramos de Lima (Belo Horizonte), Tancredo Pucci (Uberaba) de Minas Gerais. Do estado de São Paulo: Aladino Washington Viana (Serra Azul), Bernardino José da Costa Filho (Guaratinguetá), Marcelo Neves Norelli (Ribeirão Preto), Nelson Pereira de Almeida, Nestor Aratangy e Nestor Dale Caiuby da capital. Joaquim Pereira da Rosa, nascido na Candelaria, na época São Paulo, depois Luminosa, distrito de Brazópolis-MG. José Rodrigues Seabra, de Niterói, único do estado do Rio. Seabra já tinha feito o primeiro ano na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, pediu transferência para Itajubá e veio a ser um grande continuador da obra de Theodomiro. Precisando de dinheiro para equipar o IEMI, e com interveniência do Dr. Wenceslau Braz, então vice-presidente da república, Theodomiro conseguiu que constasse no Orçamento Federal verba de 20 contos de réis destinada ao pagamento de subvenção ao IEMI de acordo com o art. 74 da Lei nº 2544 de 4 de janeiro de 1912, ordenada pelo Decreto nº9.990 de 8 de janeiro de 1913.


Essa subvenção veio a ser uma grande contrariedade pois foi colocada em dúvida a existência da escola. Enviado para Itajubá a fim de fazer a inspeção, o engenheiro Pedro Rache encontrou “alguns jovens e professores numa sala improvisada” e deu parecer contrário à concessão da ajuda.
Theodomiro teve que ir ao Rio de Janeiro se explicar e a verba foi usada para aparelhar as salas de aula. Em março de 1913 foram iniciadas as aulas ministradas pelos professores contratados na Bélgica, por sugestão de Omer Beyeuse, fundador e diretor da Universidade de Trabalho de Charleroi, na Bélgica: Armand Bertholet, Arthur Tholbecq e Victor Van Helleputte. Os três integravam o Instituto Montifiori de Liège, o primeiro do mundo especializado no ensino de eletricidade e mecânica. As aulas eram dadas pelos professores Tholbecq e Helleputte em francês.
O professor Bertholet já conseguira ministrar falando em português. Além de um instintivo senso de oportunidade e boas ideias para negócios, destacadas em várias reportagens de jornais, Theodomiro ainda conseguiu ter tempo para participar de uma reunião realizada em dezembro de 1912 no Clube Itajubense, juntamente com seu cunhado Wenceslau Braz, para fundar o Clube Carnavalesco Democráticos de Itajubá.
No grupo de fundadores estava seu pai Cel. Carneiro Junior e Francisco Nisticó, musico, maestro, compositor que poucos anos antes do falecimento de Theodomiro compôs um belo dobrado com seu nome. A Sociedade Musical Antônio de Lorenzo conservou as partituras originais da música, que foi executada pela banda da cidade de São Lourenço no saguão da Biblioteca Mauá, por ocasião da homenagem da FTS e AD-UNIFEI Itajubá ao Maestro Nisticó.
Foi feito um concurso de âmbito nacional para colocar letra no dobrado; diversas contribuições foram recebidas, destacando-se duas de membros da Academia Itajubense de Letras. A cidade foi palco de mudanças de costumes e grande desenvolvimento com a chegada dos professores e primeiros equipamentos de laboratórios e livros para a escola. Além da presença marcante dos professores, que ministravam as aulas muito bem vestidos, suas famílias influenciaram comportamentos e modas principalmente entre os mais jovens.
A revista Itajubense “Mocidade” destacou a rara beleza de Leontine Bertholet, loura filha do professor, finamente educada, pela qual se apaixonaram muitos jovens da cidade. Citou vários apaixonados, inclusive Eustáquio Carneiro Santiago, irmão de Theodomiro, “houve um outro ainda, um tímido lamecha, que anonimamente manifestava seu derriço em versinhos, que sob pseudônimo mandava à Leontine”. Teve um que ameaçou suicídio no Sapucaí.

A residência do professor era palco de chorosas serenatas, até que a bela Leontine regressou à Belgica em 1917. Ela participou da guarda de honra que recebeu o presidente da república Marechal Hermes da Fonseca, sob uma chuva de pétalas de rosas, na escadaria da casa de Wenceslau Braz para a inauguração do IEMI. Mas isso é outra história.

Fonte: Eng. José Ailton Baptista da Silva. Diretor de Cultura, Memória e Reconhecimento da FTS- Fundação Theodomiro Santiago. Diretor da AD-UNIFEI regional de Itajubá. Artigo para compor a série Memórias de Theodomiro e publicação no site da FTS e nas minhas páginas Facebool e Linkedin. Janeiro de 2026.

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