Papa americano usou a bênção “Urbi et Orbi” para pedir fim de conflitos e defender a reconciliação em meio a tensões geopolíticas na Páscoa
Por Amanda Kehrig e Claudia Meireles - Metrópoles
Em sua primeira missa de Páscoa como pontífice, o papa Leão XIV fez um forte apelo pela paz mundial neste domingo (5/4), durante a tradicional celebração na Praça de São Pedro, no Vaticano. Diante de milhares de fiéis reunidos para ouvir sua mensagem, o novo líder da Igreja Católica pediu que os líderes globais abandonem a escalada de violência e escolham a reconciliação.
Da sacada central da Basílica de São Pedro, emoldurada por flores brancas, o pontífice declarou que este deveria ser um momento de abandono de “todo desejo de conflito, dominação e poder”.
Em um dos trechos mais marcantes do discurso, ele afirmou: “Que aqueles que têm o poder de desencadear guerras escolham a paz.”
Primeira Páscoa sob o comando de Leão XIV
A celebração marcou um momento simbólico para o início do pontificado de Leão XIV, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos. Desde sua eleição, ele vem adotando um tom firme contra guerras e tensões internacionais, reforçando em discursos recentes a necessidade de diálogo e redução de violência.
Nas últimas semanas, Leão XIV tem reforçado seu discurso contra guerras e crises internacionais em uma série de pronunciamentos da Semana Santa. O pontífice alertou para o que classificou como uma crescente indiferença diante do sofrimento humano e da violência ao redor do mundo.
Na homilia da Vigília Pascal, celebrada na noite de sábado (4/4), ele pediu que os fiéis não se deixem anestesiar pela dimensão dos conflitos globais e defendam ativamente a reconciliação. Já na última terça-feira, fez um raro apelo direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao pedir que ele encontre uma “saída” para encerrar o conflito com o Irã.
Durante a mensagem pascal, o papa também lamentou a forma como a violência tem sido normalizada no cotidiano. Segundo ele, a humanidade corre o risco de se tornar indiferente ao sofrimento coletivo e à morte de milhares de pessoas ao redor do mundo.
Sem citar diretamente países ou conflitos específicos, Leão XIV preferiu fazer um apelo mais amplo, voltado à responsabilidade moral de governantes e sociedades.
Homenagem ao papa Francisco
Em sua fala, Leão XIV também prestou homenagem ao papa Francisco, lembrando que seu antecessor fez sua última mensagem pública justamente em um domingo de Páscoa, no ano passado, poucas horas antes de morrer.
Ao conectar a celebração ao significado central da data para os cristãos, o pontífice destacou a figura de Jesus Cristo como símbolo de resistência pacífica diante da dor e da injustiça.
Segundo ele, Cristo enfrentou o sofrimento de forma “inteiramente não violenta”, reforçando a mensagem de reconciliação que marcou todo o discurso.










