28/06/2026

Polo aeronáutico de Itajubá cresce e movimenta R$ 1,4 bilhão, mas tem dificuldade de reter mão de obra qualificada


Cidade do Sul de Minas reúne 44 empresas do setor, gera cerca de 5 mil empregos e concentra universidade, indústria e startups, mas número de formados supera oferta local de vagas especializadas.
Por Paloma Simonetti, g1 Sul de Minas — Itajubá, MG

Com pouco mais de 100 mil habitantes, Itajubá, no Sul de Minas, se consolidou como um dos principais polos aeronáuticos do Brasil, reunindo 44 empresas do setor e movimentando cerca de R$ 1,4 bilhão por ano. Apesar do crescimento, um desafio persiste: a cidade forma mais profissionais qualificados do que consegue absorver no mercado de trabalho local.

O avanço da atividade impulsionou a criação de empregos, cerca de 5 mil postos diretos, além do surgimento de startups e da ampliação da formação técnica. Ao mesmo tempo, a limitação de vagas especializadas tem levado muitos recém-formados a buscar oportunidades em outros centros.

A dificuldade é sentida por quem está entrando agora no mercado. No último período de engenharia aeronáutica, Camila Milene Quintiliano Luz afirma que ainda não conseguiu emprego na área na região.

“Não consegui emprego na área aqui na região. A área é considerada fechada e, infelizmente, mais difícil para mulheres”, diz.

Universidade como base do polo
A Universidade Federal de Itajubá (Unifei) é um dos pilares do desenvolvimento do setor na cidade. O curso de Engenharia Mecânica com Ênfase em Aeronáutica já formou mais de 200 engenheiros. Nos últimos cinco anos, a média foi de 26 formandos por ano, com empregabilidade de cerca de 79%.

Dos 137 ex-alunos acompanhados pela instituição, 74 atuam atualmente no setor aeronáutico ou aeroespacial.

Segundo o coordenador do curso, Yohan Alí Díaz Méndez, a formação é voltada para acompanhar as transformações do mercado, mas muitos profissionais precisam sair da cidade após a graduação.

“Buscamos formar profissionais com visão sistêmica, preparados para acompanhar a evolução tecnológica. O que acontece é que o número de empresas do ramo aeronáutico na cidade ainda é limitado”, afirma.

Ele destaca ainda que muitos estudantes vêm de outras regiões e já planejam sair após se formarem.

Formação maior que a demanda
A dificuldade de absorver todos os profissionais formados também é apontada por Maurício Bittencourt, diretor da Inovai, entidade que gerencia o ecossistema de inovação local.

“A oferta de profissionais formados em Itajubá sempre foi maior que a demanda. A cidade é de pequeno porte e sua atividade econômica nem sempre consegue absorver todo esse contingente”, explica.

Segundo ele, esse cenário faz com que muitos talentos deixem a cidade, mesmo reconhecendo a qualidade da formação.

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