Por Agência BNDES de Notícias
A vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, com apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), começou a ser aplicada neste fim de semana em três cidades: Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP). Os municípios terão aplicação em massa do imunizante em todos os moradores de 15 a 59 anos. Essa nova etapa faz parte da estratégia do Ministério da Saúde para saber o percentual de vacinação necessário para a dengue parar de circular no país e produzir evidências técnicas para subsidiar a expansão da estratégia no Brasil.
Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre os três municípios: 80 mil para Botucatu (SP), 60,1 mil para Maranguape (CE) e 64 mil para Nova Lima (MG). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades e faz parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan.
A Butantan-DV é uma vacina 100% nacional, tem eficácia geral de 74,7% e de 91,6% para casos graves, além de imunizar contra os quatro tipos do vírus da dengue com uma única dose. Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina tem o potencial de mudar o panorama epidemiológico no país, com redução de atendimentos ambulatoriais, hospitalizações e mortes relacionados a dengue.
Foram quase 20 anos de pesquisas, em um processo que exigiu dedicação de diferentes centros de pesquisa brasileiros, que contou ainda com apoio de pesquisadores e instituição estrangeiros. Um marco importante ocorreu ainda em 2008, quando o BNDES aprovou o primeiro financiamento para o Butantan desenvolver imunizantes para doenças chamadas negligenciadas. Foram R$ 32 milhões que também deveriam ser usados nos estudos de vacinas para a dengue, a leishmaniose canina e o rotavírus.
O apoio do BNDES não parou por aí. Em 2017, o BNDES aprovou financiamento de R$ 97,2 milhões para ensaios clínicos e construção de uma planta de escalonamento para fornecimento de doses contra a dengue. No total, a participação do Banco corresponde a 31% dos R$ 305,5 milhões investidos na vacina.
“Desde 2008 o Banco apoia a pesquisa do Instituto Butantan para a vacina da dengue. Sua aplicação no braço de milhares de pessoas é uma vitória da saúde pública brasileira, e a certificação do compromisso do governo do presidente Lula com a ciência e a inovação que salvam vidas. Temos orgulho de ter financiado a implantação do processo de liofilização da vacina, uma etapa essencial para levar o imunizante a lugares mais longínquos sem a necessidade de uma cadeia de frios, o que encarece o processo”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
BNDES Funtec – Os recursos aplicados pelo BNDES no desenvolvimento da vacina da dengue são do Fundo Tecnológico (Funtec), que oferece apoio não-reembolsável a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação em áreas de interesse nacional. Criado em 2006, o Funtec é voltado para o financiamento de investimentos em áreas consideradas de fronteira tecnológica, com foco em pesquisas de medicamentos para o que os especialistas chamam de doenças negligenciadas, como a dengue, fármacos obtidos por biotecnologia avançada, além de apoiar energia renovável, sobretudo etanol, softwares e semicondutores.










