18/01/2025

Indígena é o primeiro da etnia Kaxixó a se formar em medicina


Otávio Kaxixó, de 30 anos, fez um discurso enaltecendo seu povo ao receber o diploma na Faculdade de Medicina da UFMG.
Por Maíra Cabral, g1 Minas — Belo Horizonte


“É nosso”, gritou Otávio Kaxixó ao ser chamado para receber o diploma da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na noite desta sexta-feira (17). Vestido com um cocar na cabeça e segurando um maracá, ele foi até o microfone e iniciou o seu discurso.

“Aos que não me conhecem, sou indígena do povo Kaxixó, pertencente à aldeia Capão do Zezinho, localizada na região Centro-Oeste mineira”, disse.

A menção ao seu povo e a localização precisa é uma demonstração de representatividade e resistência. Nascido em uma aldeia às margens do Rio Pará, no município de Martinho Campos, onde vivem cerca de 90 kaxixós, Otávio, de 30 anos, é o primeiro indígena da sua etnia a se formar em medicina.

O agora médico Kaxixó faz questão de falar sobre os desafios que venceu para alcançar o título. Um dos maiores foi conseguir recursos financeiros para se manter em Belo Horizonte por seis anos para cursar a faculdade.

“Estar aqui é uma eterna resistência. Existem fatores que vão colocando a gente para entender como ‘este lugar não é seu’. Mas quando eu começo a ver isso, eu entendo que é muito no sentido de recursos: para comprar um livro, um xerox, um lanche na faculdade e o transporte”, disse ele.
Foi graças ao auxílio financeiro do Programa de Transferência de Renda (PTR), gerido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), destinado aos atingidos pelo rompimento da Barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, que ele conseguiu se formar.

Otávio recebeu o canudo das mãos da doutora em Antropologia pela UFMG, líder indígena e deputada federal, Célia Xakriabá (Psol).

"O que Otávio Kaxixó vivenciou é preciso ser contado para além do TCC [Trabalho de conclusão de curso] porque, além disso, Otávio transformou a relação de futuros médicos da Universidade Federal de Minas Gerais. Quando um indígena se forma, é, na verdade, uma sociedade toda se transforma", disse a deputada.
Otávio Kaxixó também é cineasta e dirigiu os filmes documentários O Sagrado da Terra e TRANSpassado - Corpos

Durante a formatura, o indígena se reafirmou como representante de um povo marcado por lutas, resistência e resiliência e defendeu a educação como uma grande arma contra as barreiras impostas aos direitos indígenas.

“A educação superior é um direito de todos. As cotas e as vagas suplementares são mais que uma política de inclusão, são uma ferramenta de reparação e promoção de igualdade”

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